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Volta às aulas

Atualizada em 07/08/2009 17:39

A suspensão das aulas é um fato consumado. Não há consenso sobre a sua eficácia, mas um fato é inegável: o adiamento provocou grande desorganização na vida das famílias, nas escolas e no trabalho docente. É necessário, portanto, estabelecer um mínimo da racionalidade que faltou até o momento.

Pais querem a retomada das aulas, alunos precisam voltar à escola e os professores, como de praxe, já acumulam trabalho extra. Afinal, quando a Secretaria Estadual de Saúde recomendou, no dia 28 de julho, o adiamento do semestre letivo, o conteúdo estava organizado, as atividades planejadas e as aulas preparadas.

O trabalho dos professores já realizado precisa ser refeito para adequar-se à nova situação. Isso requer procedimentos muito mais sofisticados do que a mera reposição de aulas. Escola não é linha de montagem. O exercício pedagógico exige método, planejamento, organização, tempo e, sobretudo, condições adequadas para ser realizado.

Alguém acredita que a reposição de aulas em 10, 12 ou 14 sábados é uma medida inteligente? Estender as aulas até os confins parece razoável? Além de serem soluções questionáveis do ponto de vista pedagógico, são alternativas de difícil aplicação.

Em primeiro lugar, porque muitos professores trabalham em duas ou mais escolas, o que cria uma dificuldade adicional para a reposição. Além disso, custa caro: as atividades profissionais em dias não habituais de trabalho devem ser remuneradas como hora extra. Por último, empurrar o término do ano letivo repercutirá, necessariamente, no calendário escolar de 2010.

Diante da excepcionalidade da situação, só existe uma alternativa possível: a manutenção dos calendários escolares fixados no início do ano letivo e a garantia de que os professores possam decidir a reorganização do conteúdo e das atividades acadêmicas nos dias normais de aula, tendo em vista a qualidade de ensino e as condições de trabalho. Por fim, o respeito à autonomia pedagógica e às condições particulares de cada escola, princípios basilares da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB.

Federação dos Professores do Estado de São Paulo