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15 de outubro: um dia de reflexões e homenagens

Atualizada em 16/10/2009 16:07

O 15 de outubro de 2009 foi marcado por reflexões sobre o papel do professor e as mudanças ocorridas na sociedade. Foi também um dia de homenagens e encontros afetivos. Visivelmente emocionada, a pesquisadora Tânia Zaguri abriu sua palestra – organizada pelo SINPRO-SP como parte dos eventos em comemoração ao mês do professor - destacando o quanto se orgulhava em ser professora. “É uma grande honra estar aqui neste dia”, disse.

Com longa experiência no magistério e a bagagem de 17 livros sobre educação publicados, Tânia afirmou que a escola de hoje está em crise. E há um conjunto de fatores para explicar o quadro que encontramos hoje, os problemas que afetam a autoridade dos professores e influência na indisciplina dos alunos em sala de aula.

As mudanças pelas quais as famílias passaram nos últimos anos certamente estão entre esses fatores. “Criou-se uma geração de pais que não sabe por ponto final”, enfatizou. Segundo Tânia, o medo de errar, a insegurança, o sentimento de culpa têm transformado a relação dos pais e filhos. Somado a isso, assistimos a crise ética nas instituições e a violência social.

Há também os fatores que decorrem dos problemas na própria escola. A queda na qualidade na formação dos professores é certamente um deles, junto com o aumento de tarefas dos docentes, as pressões internas e externas que sofrem. Sem esquecer que a profissão perdeu status. “Ontem éramos mestres e isso era sinônimo de prestígio na sociedade. Infelizmente hoje isso não é mais bem assim”, lembrou.

Na análise de Tânia, a combinação de uma família desestruturada, insegura, de professores pressionados e inseguros e de jovens influenciados por meio desfavorável alimenta a crise na escola que se vê na atualidade. E para piorar a situação, assistimos a crescente transferência de outros papeis aos docentes. “O professor é quem ensina, essa é a sua tarefa”.

Como mudar
Apesar de um cenário pouco otimista, Tânia Zaguri acredita que os professores podem agir de forma a mudar seu cotidiano e seu papel na escola. “Precisamos entender que o mundo mudou. Esse é o primeiro passo”, afirmou. Os professores precisam trabalhar para administrar com competência conteúdo e técnica de ensino. “A autoridade que melhor funciona é o saber”, instigou. “Precisamos transformar a educação em uma ciência”.

Ela ainda explicou que para se ter liderança é preciso ter autoestima e que para motivar é preciso estar motivado. “Temos esse desafio pela frente”.

Fotos: Maíra Soares